terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

para o meu irmão ator Igor Cotrim
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gritei tanto, mas tanto,
que meu grito não foi ouvido 

por nada nem por ninguém, 
acredito que estive histérico, 
embriagado de luzes imaginárias, 
por aves que nunca existiram, 
menti, ainda estou histérico, 
mastigando livros cheios de filosofia 
num tempo em que os sem filosofia reinam, 
e de nada sirvo porque torna-se complexo 
chegar ao mercado 
e trazer arroubas de arroz e feijão 
munido apenas de complexos versos; 
e a era das filosofias nunca mesmo existiu,
nem para william shakespeare que movia 

sua companhia
de atores entre esterco de cavalos,
numa inglaterra interessada 

em conquistas e realezas fúteis, 
o demiurgo dramaturgo estava ali mendigo, 
quase mendigo, 
esticando as mãos para por clemência
receber dos vulgo gentis fidalgos parcas moedas,
em troca de sua etérea arte,
derramada sob a chama da vela
que morria antes e depois do sol medieval nascer

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