domingo, 29 de março de 2020

a porra do corona vírus,
a porra da gripe espanhola 
que não é espanhola,
a porra que esporra nos infelizes
para eles continuarem infelizes,
o maldito ódio de tudo que gera censura,
prisão, mentira, idiotas e canalhas
ah, muitas vezes sou idiota e canalha,
e ladrão também, e podre, e perfumado,
e jarro de flores carnívoras, 
flores de carne,
árvores de folhas dentuças,
árvores cagadas pelo cu mesmo,
pela boca, pela boca do lobo,
pela boca da borboleta amarela e preta
que insiste em por seus ovos
nas folhas do meu pé de maracujá
para que cresçam lagartas famintas
devoradoras de pés de maracujás,
e hoje, eu vi ela, 
a borboleta amarela e preta chegar
para despejar seus ovos futuras lagartas
na minha planta que não é minha,
eu gritei com a borboleta,
ela se foi, mas quando eu não estiver
por perto sem a ver,
certamente voltará para despejar 
seus ovos famintos,
como a planta cresce 
na janela do apartamento,
os pássaros que controlam as lagartas,
por me temer aqui não chegam,
eu continuarei com petelecos, 
descartando as lagartas

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sai de casa para não matar meu pai,
para o meu pai não me matar,
aos vinte anos meu filho acordou
falando coisas sem coisas,
logo logo sua madre resolveu,
usando os poemas dele escrever
uma coisa que ela chamada de livro
com o nome "esquizofrenia, o que fazer?",
com isso o condenou para o resto dos tempos
( ou acha que isso o fez, ou não acha... )
o que é ser mesmo mãe?
o que é ser mesmo pai?
o que é delírio, o que não é delírio?
meu filho é um poeta,
um ser doce vertido em música,
meu filho é música, é músico, é amor,
é um homem lindo
vitima, vitimas?
não, não o somos,
eu estive no pátio de um sanatório,
conheci muitas pessoas lá,
um me disse que há mais de seis anos,
que ninguém o visitava...
eu estava no santório da tijuca,
havia quebrado minha aura em muito pedaços,
acho que inconscientemente desejava devorar
os miolos de artaud,
as tripas dos profetas infernais,
a planta morta, as raízes da mandrágora,
os testículos do submundo

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e ele amarrou o fuzil nas pregas
para os abutres compreenderem 
que ele era o rei,
o rei dos que nunca acordaram 
porque nem nasceram,
um rei monstro de revista de quadrinhos
do milênio ultrapassado,
e ele mofou com as cinzas 
dos que empalaram dracula
com um mastro de aço em brasa
e foda-se se você não gosta 
do que aqui escrevo,
e foda-se essa ópera fajuta 
escrita por salieri morto de inveja
por não ser mozart, por não ser nada,
por feder sem direito de se decompor,
pois nem mesmo os linques do bolor
hão de o querer vossos restos desprezíveis
mas como tudo e todos possuem 
em seus íntimos
as sementes de bhuda,
devo tecer respeito 
e não acusar os que se acham demônios
de demônios, porque eu mesmo sou bhuda
e demônio de mim mesmo,
estou na mesma chuva, 
na mesma camada de ozônio,
no oxigênio, na pedra que explode,
na pedra que esfria após o bombardeio
compreendo e não compreendo a guerra,
o horrendo e o paraíso do combate,
do bom combate, 
assim prossigo guerreiro da luz,
discípulo do sutra de lótus,
não no papel, sim na atitude,
na literatura que ora vos ofereço

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puxo o fio, o barbante, o arame,
o galho, a fita, a fagulha,
o que aparentemente está oco,
vazio, sem nada, seco,
triste, lacrimoso, cheio de dores...
desafio, combustível,
lenha na fornalha do evoluir,
e eu, e você, pensativos, trêmulos,
lançados no furacão da história,
do tempo escrito no invisível,
nos organismos dos viventes,
dos que pisam nos dígitos do calendário
nesse ano, nesse mês, no dia, na noite,
no espaço que há entre o sono 
e o estar acordado,
há de se cuidar da doença,
dos arqueiros infernais 
que desejam a nossa morte

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contando pingos,
vírgulas e outros sinais ortográficos para ver,
saber o que escrever 
por esses dias de muitas mortes,
de muitas linguagens, 
línguas exatas e distorcidas,
diante dos que estão isolados,
diante das carreatas macabras
dos que nos julgam pedaços de carne,
objetos, braços mecânicos comandados
pelos que dominam o dinheiro,
pelos selvagens que também vão morrer,
a morte, a velha morte,
não livra nem a cara da rainha,
nem o dono da mais prospera mina de diamantes,
nem os donos dos cachorros,
nem os cachorros,
e a morte fode o presidente, 
os filhos do presidente,
seus ministros, 
seus seguidores analfabetos
vá se foder classe média alta do esgoto,
fedemos da mesma forma,
cagamos a mesma merda, seja ela de caviar,
seja ela ( a merda ) de bafo de cachaça
contaminada com a carne dolorida
dos animais trucidados pela inconsciência
dos que ainda não cresceram
vá se foder reis e rainhas, 
princesas e príncipes,
habitantes das coberturas 
da ipanema cega,
vossa bossa velha arrasta 
com sua carreata macabra
os caras de cu lobotomizados 
por vossas ganâncias,
você acha que o fim chegou mais cedo,
não, chegou na hora certa,
de nada adiantara as montanhas 
de euros e dólares
que entopem seus intestinos sem poesia

( edu planchêz )

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brasília ás escuras
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na isolada brasília,
resmungam os grilos,
os cães de nicolas behr,
os cus dos senhores
deputados senadores,
o mundo envenenado
desses vadios
que envergonham
as dores do parto
de suas mães,
manchando a história
com a paraguaiada
gestada na fedentina
de suas mentes menores,
de seus corações mortos
brasília ás escuras
soterrada por vermes
que você por cegueira
colocou no poder,
na cadeira do pobre diabo,
nas lanças
que enfiam em teu rabo

( edu planchêz )

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não acredito que seja cega,
parece quase nada percebes,
vives longe da compreensão 
profunda dos poemas,
vives o aqui e o agora, 
a superfície, apenas isso,
infelizmente, para a dor de tudo
que não é visível a olho nu,
para os que nos observam, 
para os que nos ouvem
de dentro das outras dimensões
mas nicola tesla compreende meus poemas,
não os critica, apenas os contempla
com a inocência das estrelas,
ele sabe que cada um deles é um sistema,
um ser, um planeta, um amontoado de galáxias,
pássaros em voo
os que muito pensam,
pensam com os neurônios da censura,
com as mãos cativas,
presas no espaço-tempo
dos que nem nasceram,
mas o poema 
de portas abertas sempre está

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DAS ESFERAS ( edu planchêz )
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"O aprimoramento endireita os caminhos
mas as sendas rudes
e tortuosas são as sendas do gênio"
(William Blake)
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Fragmentos que derivam tão somente da alma,
vivo na fronteira dos tempos
Ventania flamejante,
faça-me voltar à tona,
cruzar o colosso,
ser navio e a loucura do perfume

Entre na afinação das esferas,
adorando o espírito que me habita
Se sou invasor, toque logo as trombetas
dos meus cabelos enigmáticos
Não vejo limites nesse incêndio
"Um gato silêncio atravessa a rua"
E eu apago as linhas do mapa-múndi
Se Ginsberg estivesse aqui
nebulosas despontariam
de nossos dedos de condão
Orientes e Ocidentes espalhados
A falta d’água é breve
Temporais ruirão do vazio
carregando os mundos da margem
Centenas de pétalas
lavam o ar melancólico
Ainda tenho minhas asas!
E no gemido da janela
move-se um Rock úmido
E a sombra do poeta
singra pelas areias juvenis
do deserto costeiro
Agora sou um pré-inca
Resta saber se escavando paredes
encontro as relíquias prometidas pelo Sol

(edu planchêz)

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NAVIO RABISCADOS ( edu planchêz )
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Em Withman ancoro pés
novelos e navios rabiscados
Mais de duzentas lagartas, imagino,
caminham no tapete
Segundo os filhos dessa aldeia,
“aquele que traiu o Rock
se esbanja cantando grudes italianos”
Se tenho silêncio nessa manhã?...
Pergunte ao nosso gato amarelo e real no sofá
e nos metais do poema
Em Withmam, amarelas construções
precipitam-se lúcidas 
saudando meu menino de engenho
Se caço o bagaço da cana cósmica 
com a parabólica da cabeça de cuia, 
somente o Brasil pode dizer,
somente o cavalo estanho e sua égua
me fazem ver a extensão
dessa praça primeiro de maio
com todas as suas silhuetas setentrionais
Mais que milho tonto
quando se entorta na feitura da pipoca,
sou eu, ouvindo as invenções de Tom Zé.
Megas rincões providos
de esquálidas árvores de cedro
Voltando à onda original
Voltando ao castelo estranho
colado nas costas do crustáceo 
irmão da ameba
Centauro-ave-pré-histórica-brontosauru
A verruga que se deu em poesia
crescia no magma da pré-civilização
Nada mais estranho
nem mesmo o amor dos escaravelhos
revolvendo excrementos
Gosto de ver e vejo gavinhas
de duplas folhas saindo do chão
e se enrodilhando na base 
dos pelos do meu corpo
Gosto de ver e vejo aviões
entrando e saindo,
navegando em tua vagina-aeroporto
Aviões em meu pescoço-caule-de-sequoia
Me remeta umas letras de qualquer planeta
Sem te preocupar com o breu dos enganos
teste teu batom e teus lábios
nos lábios das minhas invenções
Se teu breu abraça meu transe, 
nada se esconde
e se esconde, 
e se esconde, e se esconde

( edu planchêz )

A imagem pode conter: oceano, céu, água e atividades ao ar livre
mister the doors me devolvendo a vitalidade,
dionisius morrinson move-se nas antena,
nas teias do aracnídeo que sou,
e tudo explode na colisão dos astros 
que se arriscam,
que consomem o futum da fuligem
que armazenei por milênios nos intestinos
deliciante foi o dia 
em que não vi as setas da luz amarela
penetrar nas cavernas,
mas meus olhos maiores 
nas graças das estrelas estão

A imagem pode conter: planta, flor, natureza e atividades ao ar livre


escrevendo para ir dormir 
após um banho frio de dez minutos 
para me desfazer das dores 
musculares emocionais psicossomáticas

sábado, 14 de março de 2020

raios regidos
por minha mãos-de-tesla
atingem as alas visíveis
das pessoas que conseguem ver raios
cortando os céus,
cortando as roupas, cortando as ruas
e os compactos trens vindos das artes,
das tuas artes, das minhas artes,
das artes iluministas,
do cinema novo,
do modernismo de tarsila do amaral
e seus pares
só falo de arte por ser arte,
homem caneta, homem pincel,
cavalo de passo continuo,
de salto vertical em direção
ao coração da literatura,
ao coração da música 
ouvida por villa lobos

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

nikola tesla gênio maior 
até que albert einstein,
eu aqui plantado no ano 2020 contemplando
tuas invenções, tu desenhas-te tudo, 
eu disse tudo,
o motor de corrente alternada 
que move tudo que gira,
todas as máquinas, o telefone celular, 
o wire fire,
o raio x, o controle remoto, 
a luz de neon e outras luzes,
a construção de um disco voador 
aqui na terra mesmo
nikola tesla gênio maior 
até que albert einstein,
compreendo ser vosso irmão 
de voltagens coletivas,
de visões humanas progressivas, 
dividir, multiplicar,
levar ao outrem o avanço, a luz elétrica,
o dia dentro da noite, 
a noite cravejada de estrelas,
de estrelas intensas, 
de estrelas irmãs,
de estrelas amantes sensíveis

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amo a literatura, a poesia em especial,
a poesia em toda a sua grandeza
de nos arrastar pelo embriões das coisas,
dos sentidos, dos não sentidos;
ela a poesia, espiral onde giro, onde giras,
onde me perco para estar fundido
ao especial, ao reino dos relâmpagos,
da eletricidade humana, mais que humana,
nada humana, estelar, subcultanea
poesia, astros que se esfarelam
para na construção das palavras
me expor, 
para estender sobre os que olham,
o poema, a cena, o cenário

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rajadas de vermelho, rajadas de azul...
golfadas de branco, golfada red fruit,
golfadas bleu turquoise, bleu clair
no corpo do furacão felino,
no corpo da arte trans
no corpo reino de castelos,
de palácios e palafitas
meu prêmio cabe na haste da flor,
nas arvores do barco
na carne sutil do irmão rio

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vamos dividir nossas almas com o próximo,
vamos dividir,
dividir tudo, todas as perolas, 
todos os biscoitos,
todas estações do ano,
as vozes dos espíritos dos vegetais,
o umbigo da mata,
as antenas que captam dos céus 
os neutrinos do sol
dividir os dons de preparar a boa comida,
a comida deliciosa dos que amam,
dos que precisam de comida,
de comida física, de comida espiritual,
essa é a hora da redenção, da multiplicação,
de rever todos os valores
que fiquem em casa, que saiam de casa,
que toda a medicina védica, 
homeopática, alopática,
mediúnica, transcendente, 
humana. transcendental...
seja posta na mesa de todos

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que todos nesse agora,
abram em si os portais da alta sabedoria,
do alimento mais alvo, 
da sintonia magnifica com o bem,
com as cores dos frutos e das flores
as estrelas do mais que ouro, 
do mais que diamantes,
safiras e esmeraldas flutuam cá em nossas casas,
em nossas em mentes búdicas,
em nossos corpos de prazeres e belezas
isso é o melhor 
que podemos repartir com o outrem,
minha alma, nossas almas, 
as almas de tudo que brilha
mesmo que esteja no breu, 
nas tocas do aracnídeos sagrados
meu poema apenas deseja
que vossos passos se embrenhem nos galhos
da árvore mais velha,
nas correntes marítimas da novíssima era

A imagem pode conter: oceano, água, atividades ao ar livre e natureza
nos galhos azuis ancoradouros de araras
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escrever com as pontas das casas do sangue,
das casas movidas pelas gotas das águas
chegadas de além dos montes,
de além do que vejo nesse agora,
nesse agora cor de abóbora,
cor de laranja pera, nesse agora grená

e eu canto porque pulso,
porque gira nas telas de minhas unhas
a canção, o cantar de minhas irmãs
e de meus irmãos
positivo sempre,
labareda sempre,
pétalas de flor de vento, flor de criança,
flor parida por gatos uivadores,
por onças libertas na selvageria,
no selvagem, nas pastagens das matas,
nos galhos azuis ancoradouros de araras
( edu planchêz )


A imagem pode conter: nuvem e céu
renascer de uma gota,
renascer nas águas do mar,
provar a leve labareda 

das palavras curativas,
meu exercito é feito de flores brancas


A imagem pode conter: planta e flor
compreendo o que vivi, o que vivo,
os entraves, os desafios,
o trovejar das fortes ondas,
sob o olhar da Lei Mistica,
no fundo escolhemos onde nascer,
onde viver, com quem viver,
para espalhar aos que sofrem
o Sutra de Lótus que nasce e cresce
nas nas alamedas da lama
eu e tu,
espadas sendo forjadas
a pancadas de fogo, do ferro no fogo:
nenhum lamento,
total envolvimento com o próximo,
com a dor do próximo,
com a felicidade dos que vou encontrando
no fundo do professor abismo,
felicidade aos que me dão as mãos,
aos que seguram minhas mãos

A imagem pode conter: flor, planta e natureza
olho o perto e o distante,
e abro a cortina, a porta,
a terra e o céu,
procuro um ponto, uma ponta,
um pedaço e o todo,
escrever bonito não significa ser bonito,
ser o astro que distribui as camisas


minha poesia de puro visgo
grudada está nos ângulos 
de vossos ouvidos e olhos,
ela nasceu pra isso,
nasceu para grudar 
os cacos dos que se perderam,
para achar os que se perdem,
para os que se perdem se acharem
o visgo é fogo que vaga no combustível
a gente sai rasgando a porra
toda com a nossa extravagância,
com as nossas letras,
com as nossas bocas escorrendo veneno,
com as nossas guitarras fodedoras,
uns foram para o front,
outros como eu para o hospício,
O RAPPA & a NAÇÃO ZUMBI caíram pra dentro,
e eu sai de cena,
mergulhado nos lençóis das trevas,
na depressão aguda do esgotamento mental,
de tanto cavar, de tanto rugir para as paredes
mas EDU PLANCHÊZ ANIMAL POÉTICO
DE VOLTA ESTÁ,
NO TEMPO, ALÉM DO TEMPO, 
NO TEMPO QUE CABE
AO POETA, AO CANTOR POETA,
AO INVENTOR EXTREMO
EDU PLANCHÊZ eu mesmo, 
construtor de delirius,
de canções poemas delirius,
vivo estou, determino me erguer só,
voltar a ser potente gigante, 
avassalador gigante.
artista na cena planeta
o nosso irmão poeta brasilande de sá barreto
---------------------
ele foi para a outra margem,
o coração do quântico pensamento
confia nas verdades das muitas dimensões,
aqui, ele desmaterializa-se para noutra textura
verter-se em águia
no pico das águias
acompanhado por nitiren daishonin
e outros seres celeste vindos das dez direções do universo,
ele, o nosso irmão poeta brasilande de sá barreto,
flutua, recebe dos sois e das estrelas
o néctar da grande felicidade,
o beijo sagrado de albarã e suas meninas
que banham-se no límpido lago de antigamente


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quarta-feira, 4 de março de 2020

me alimento com o milho branco
cozido no leite branco,
leite de vaca, leite de coco,
leite dos ares descidos dessas montanhas
da jacarepaguá arcaica,
arcaico me sinto abraçado aos ancestrais,
o meu grande ancestral vidente
via nos quiabeiros,
em suas flores amarelas de miolos grená,
o cenário que os brujos observam
de dentro das ocas gotas
caídas das cascatas,
dos olhares perdidos nas chamas
do amor incondicional
continuar escrevendo, devo,
por ser a escrita as marcas que vou escavando
no chão do mundo das pessoas,
nos mundos, nas muitas dimensões,
na quântica sensibilidade
dos que aqui toco, dos que aqui me tocam,
com seus raios elétricos,
com suas invenções indescritíveis
por eu ter muitas palavras,
por não ter palavras,
por não haver palavras que descreva
o que tesla agora pensa em outra dimensão
em outra e nessa dimensão,
pelos portais que vou abrindo com palavras,
associações de palavras, de imagens,
de metáforas, de geografias diversas
abrindo as caras que tenho para as janelas,
para as carrancas do nunca mais evaporarem
diante do corpo da luz
minha nova cena,
a nova cena que construo de dentro pra fora,
rasgando com a vontade determinada
as cadeias das pedras intransponíveis
a primeira vista
arrancando os pregos, os cravos, as estacas
do obscurantismo
que andei barganhando com o escorpião
decreto o fim de um ciclo e o reinicio de outro,
na terra, na carne pele,
nos olhos e nos pés
a força do poeta que construo
desde sempre,
parte dos transmissores
da rádio eu mesmo,
das imagens captadas por minha criatura,
por tua criatura
determino que cada palavra que escrevo,
que cada canção que faço se transforme em dinheiro,
em valores que são o passaporte 

para continuar respirando,
ter a geladeira quebrada e vazia não condiz
com a qualidade da arte que faço,
que eu e minha mulher fazemos
índio neon animal poético,
emergido nessa nave eu mesmo,
ergo a cabeça, minha cabeça de poeta,
cabeça cheia de criatividade terráquea estelar



um pedaço de madeira perfumada
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reinando sobre o que sobrou do carnaval,
do que sobrou da última noite,
do próximo nascer de estrelas
reinando entre as linhas que aprisionam,
entre as linhas que me liberta das trevas
para aguarda nos rochedos das chuvas
o vendaval construído pelas aves
saio do sono triturante,
saio das armadilhas, dos portões de ferro,
da ferrugem, do limo, da decomposição,
das visões inúteis
para cantar com os bárbaros,
com os que apertam 
contra o peito um tubo de tinta,
um pedaço de madeira perfumada...
no rosto da noite maçã
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no rosto da noite maçã,
nas plumas de minha janis mulher...
com os cascos da tartaruga voadora
faço um barco, uma antena
perfeita é a voz de meu amor,
de minha dama princesa,
rainha de tudo que tenho
eu a amo, e esse amor,
compreende a distância entre o cais e a ilha
minha mulher de flores, sementes e galhos
a voz de minha fêmea é a voz do presente futuro
nos caminhos do professor abismo
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nos caminhos do professor abismo,
resgato as bandeiras vermelhas da alta sabedoria,
abraçando a dor, a dor engrenagem da luta,
do meu eu de luta, herói de mim mesmo,
herói de meu filho herói guerreiro que jamais desiste,
de viver, de estar vivo, de vencer a todo custo,
com os pés cheios de bolhas, em carne viva,
ele esquecera da própria dor, e rastejou quilômetros
( mesmo com a mente aturdida pelo torpe trauma
de não compreender o que a maioria não compreende,
ele emergiu na chuva, nos oitenta milhões de graus
do calor vulcão do rio de janeiro apinhado de fuzis
e ingratos lideres profetas do egoico capital
mas a vitória é absoluta e certa
para os que se abrem para o próximo
sem limites, sem regras limitadas,
sem fechaduras paredes,
sem propriedades particulares
amarradas por grades,
por brucutus adestrados
Eu e Icaro Odin Andarilhos das Estrelas,
pássaros de ouro 

pendidos nas penas da galáxia pássaro,
aventureiros da grande alma
Filho, você tem esse meu sangue mutante,
esses meus ossos que são flautas
a minha palavra 
vai de encontro a palavra da flauta,
palavra sopro,
palavra que vence,
que atravessa as cordilheiras

Já que hoje me sinto bem pequeno, menor que o menor dos pequeninos, dou um descanso para o pensamento porque o mais importante  é entrar ...