segunda-feira, 8 de junho de 2020

Já que hoje me sinto bem pequeno,
menor que o menor dos pequeninos,
dou um descanso para o pensamento
porque o mais importante 
é entrar na pele do vinho
para observam a complexidade, 
os desenhos,
a estrutura, 
a graciosidade de uma folha
O poema me arranca 
do denso cotidiano cosmopolita
para me atarraxar 
nos parafusos das cataratas

( edu planchêz maçã silattian )

A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre, natureza e água

terça-feira, 28 de abril de 2020

escrita perfume ( edu planchêz )
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meus dez anos de solidão 
que sempre se repetem,
hão de ser entre as montanhas,
vivo entre montanhas 
aqui na jacarepaguá dos meus,
das imagens gigantes do tiê-sangre
guardado pelas fartas folhas
do jambeiro encarnado de frutos

assim falou zaratustra, assim falo eu,
aprendiz em lavar pratos,
em instalar chuveiros e botijões de gás,
em compreender minha mulher menina
que ainda não tocou nos ferros em brasa
que passaram a ser todos os meus ossos
eu reino nas camuflagens do escrever,
e eu, e eu apenas embaralho as letras,
os assuntos que são fios 
que vou puxando
de dentro de uma garrafa,
de uma lâmpada de gênio,
de gini querida 
vertida em catarina crystal,
minha galla,
um castelo fiz pra ela
nas cascatas dessa escrita perfume

A imagem pode conter: noite
observando os pés de tomates
que com essas mãos de carinho plantei,
eles estão enormes, 

crescem indo em direção a vênus,
chegarão eles, os pés de tomates, 

aos poucos...
ao embrião dos laminados sonhos
que sustentam a terra e netuno nas eletricidades,
nas primaveras e nos outonos


A imagem pode conter: planta, comida e atividades ao ar livre
ouvindo aqui criolo e milton nascimento...
não existe amor em sp, 

não existem cavalos marinhos na rj
das coisas mortas, 

nos partidos da cidade de deus,
nas partes da cidade de deus que se espalham
por toda a jacarepaguá, 

por pequim e pela paris 
dos caras de queijo apodrecido
meu reino é o teu reino, é extensão da favela,
é a favela, é a cidade-favela hipnotizada
pela fome pseudo espiritual 

dos profetas filhos do valão,
filhos do dinheiro maldito que nada podem
diante do vírus racista sem raça,
não há teatro de milagres hoje 

nas igrejas do asco,
não há deuses nem santos 

que te arranquem do lamaçal
se não fizeres a tua parte
crime e castigo, 
os nossos cem anos de solidão,
as asneiras dos que cagam ao falar,
ao permitir que você morra de fome,
logo você que o colocou no poder,
na ponte aérea dos megas bancos
eu cuido de mim, 
cuido dos que me ouvem
e dos que não me ouvem 

porque perderam seus ouvidos
para o jesus da ilusão, 

da mentira que é cachaça,
que é crack e cola que menino cheira
para não lembrar, para esquecer,
para o que não sei o que,
mas tudo isso acontece 

aos pés da cidade feia e linda,
dos que se afundam 

em seus dramas por não se ouvir,
por não ouvir criolo 

e chico buarque de holanda,
por se venderem sem saber as não artes
dos "artistas" abobrinhas

A imagem pode conter: céu, montanha, atividades ao ar livre e natureza


amor costurado nas juntas ( edu planchêz )
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eu tenho um bala de prata,
eu tenho uma bola de ouro
que é um cajado cravejado
de espinhos de diamantes
eu tenho uma estaca de luz
para cravar no coração,
da maldade
"demônios,
vocês terão suas cabeças partidas
em sete pedaços"
além do medo,
do medo que ora nos ataca
eu nada mais que humano.
muito mais que humano,
totalmente humano,
do fundo da terra, do fundo dos céus,
do fundo das pétalas da flor
amor de leite,
amor costurado nas juntas,
nas raízes, na solidão,
no expandir do que sinto
olhando para o amargo,
para o mundo que treme
esperança absoluta...
eu tenho um bala de prata,
eu tenho uma bola de ouro
que é um cajado cravejado
de espinhos de diamantes
eu tenho uma estaca de luz
para cravar no coração,
da maldade

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Zé Ramalho deve ser ouvido
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Apenas os Poetas Visionários 
possuem as Chaves
para que nos libertemos 
da desgraça que veio das Trevas,
na qualidade de Enlaçador 
de Mundos Ressonante Branco,
vos convoco para comigo 

e com os Mestres Diamantes
mergulharem nas profundezas 

das profundezas
Zé Ramalho deve ser ouvido


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e anel
esse monte de braços 
que tenho gritam
e não abrem mão de gritar,
meu grito é o grito da terceira visão,
do outro olho,
do olho que está além 
de todos os mundos,
de todas as visões ainda limitadas,
por não compreenderem 

o que é estar em guerra,
o que estar nas portas da fome coletiva,
da extinção de toda a civilização
a fome canibal da luz abstrata,
será que me compreende ( ? )
coloca todos ou quase todos nas urnas
onde não entra o saber estelar,
e sem o saber estelar não ousara
beber na dimensão dos naguais
o incompreensível,
e padecerá com os que não voam,
com os que se encolhem
com os que apenas contam as moedas,
com os que lamentam o que o vento levou
( edu planchêz )

A imagem pode conter: céu

domingo, 19 de abril de 2020

frida pessoa me disse lá atrás,
nos tempos que estive emergido
nas estatuetas das trevas
que eu era escorpião
e que escorpião é fênix
e sendo fênix das cinzas eu sairia
ao chegar em são josé dos campos
pós ser resgatado 
por meu irmão joão marcelo
e meu tio sipriano henrique
dos porões do sanatório da tijuca,
minha mãe me vendo vertido em zumbi
foi dizendo, 
você parece que chegou ao fim da vida...
e eu morto mesmo ganhei 
de volta os meus pais
e meus irmãos, 
um quintal cheio de arvores frutíferas,
meu pai me apresentou as sete árvores
que fora plantadas por ele,
e que cada um representava 
um de meus irmãos,
o limoeiro taiti era eu


A imagem pode conter: planta, natureza e comida

nas argolas do sol de hórus
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minha poesia tem tanta força,
tanta adrenalina dourada, 
pedaços de roupas,
roupas inteiras,
guarda-roupas repletos 
de cartolas e fraques,
de vestidos rodados 
com minha dama dentro
oh amor raiado das profundezas!
das alturas dos céus dos aviões que invento
colocando meu rosto no rosto das aves
eu sou poeta porque sou poeta,
homem inventado por mim mesmo,
pelas canetas dos dedos
das mãos e dos pés,
pelas noticias trazidas pelos sinos
e nos templos, nas carruagens,
nas circulares invenções dos círculos
onde giro, onde giras,
giramos nas argolas do sol de hórus,
do sol do vem da afiada arte,
da minha arte sem dono
( edu planchêz )

A imagem pode conter: pessoas em pé, sapatos e texto

tem um momento que eu chamo a dor para a porrada porque a dor que sinto hoje é pinto diante da dor pretérita eu brigo muito, não sei ser diferente, mas não sou herói e sou herói, isso tudo misturado, né irmã/irmão de muitos temporais? pensamos sempre que os psicanalistas são batutas em lidar com os sentimentos dores, mas... fico aqui cheio de culpas, por odiar, por desejar o morrer dos que destroçam o país, as vidas... mas depois da guilhotina a frança foi outra, mas como diz paulo ghiraldelli, pode aqui ser diferente

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e tudo recomeça...
há muitos dias 
que venho convivendo, dialogando
com uma professora dor 
no braço esquerdo,
dor que lateja e dá choque 
mais na hora do dormir,
lado esquerdo é o lado do coração,
do sentimento...
e que vem acontecendo
com o meu sentimento,
com o nosso sentimento...
medo de ter medo, 
medo intenso da extinção,
medo, ódio, raiva...
e de coisas complexas de relatar,
ou mesmo impossível,
creio que armazenei cadáveres 
nos olhos e no sangue,
foram, são muitas mortes,
cuspo crânios, 
cuspo espadas de fogo de enxofre
pela boca e pelo cu,
pelos cadilacs que transportam 
os raios e as cobras
eu escorpião montado no escorpião
das muitas metamorfoses,
nas aranhas da extrema peçonha,
dilato as caras, as carrancas,
os escaravelhos da destruição 
e da reconstrução

A imagem pode conter: planta, árvore, atividades ao ar livre, natureza e água
OS NANICOS DE COPACABANA ( edu planchêz )
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as formigas achavam 
que eram superiores aos terremotos,
não eram, eram apenas formigas, 
menores que os micróbios,
menores que as bactérias,
menores que os anões de copacabana 
que gritam o nome de hitler,
eles querem cavalos e tanques de guerra,
genocidas e bandidos 
destruindo a república,
a ordem coletiva. os direitos individuais
eles são os nanicos de copacabana,
não estudam, não acreditam na ciência,
são surdos, não gritam, 
eles latem por seus cães,
pois seus cães não latem
porque as fezes-madames pagaram
para o veterinário nazista
arrancar com uma faca 
suas vozes e seus sexos

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
a erupção do anak krakatoa grita
em meus tonéis cheios de lágrimas 

de alegrias e tristezas,
de elizeth cardoso, 

de dalva de oliveira e billie holliday,
e de toda a civilização acordada 

e adormecida,
estranha e maravilhosa



A HISTÓRIA DO KRAKATOA,”PAI” DO ANAK KRAKATOA,QUE PROVOCOU O ...

a ratazana peida, 
os camundongos peidam,
o bosta fala em matar, 
comer coco,
os camundongos se acham autorizados
a fazerem o mesmo, assim funciona,
os que teleguiam e os que são teleguiados
ontem, resolvi bater um papo
com um séquito de camundongos,
me ameaçaram de falecimento, 
que eu ia levar bala,
que iriam rir na minha sepultura 
e na sepultura
de todos que pensam igual a mim,
camaradas, a lobotomia é crítica,
eu sou apenas um vagabundo poeta
tentando acordar os que dormem,
protegido sou pelo cu caralho
galático de allen ginsberg
seria eu um artista incompreendido,
um gigante emergido no lago? 

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eu desejei fazer o que john lennon fez,
o que o renato russo fez, 

o que kurt cobain fez,
e fiz e faço, mas se ainda não alcancei
o estado maior dos milhões de pessoas,
o estádio cosmonauta do planeta,
a histeria mor dos que rasgam 

o fundo do tempo,
eu rasgo o fundo do tempo,
mas é um grande desperdício
vocês, você não estar devorando
os meus poemas e as minhas canções,
seria eu um artista incompreendido,
um gigante emergido no lago?


A imagem pode conter: atividades ao ar livre e água
as bandeiras que sigo são feitas de pedra
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destravando, arrancando os cabelos
do enferrujado arame
que o real me oferece
digerindo, mastigando,
cuspindo e engolindo o cuspe
para nas vindouras horas aprender
esquecendo o que vejo 
para conseguir andar,
andar por dentro de mim,
nas esferas do cosmo que absorvi,
do cosmo que fui inventando,
do cosmo que existe 

sem eu precisar existir
todo o peso dos fatos,
das estampas, das imagens punks,
do rock que sempre fiz,
das vozes que ouço,
não são vozes ocultas
e são vozes ocultas,
e eu tenho que escrever
para não morde a loucura,
para morder a loucura,
para dizer alguma coisa
mesmo tendo quase nada para falar,
e eu preciso falar para ficar em silêncio
posso tocar 
nas orelhas das folhas do hortelã
para não gritar, mas eu quero gritar,
dói o braço, as costas, os dedos das mãos,
a alma que desenrolo
e hasteio no lugar das bandeiras,
e as bandeiras que sigo são feitas de pedra
( edu planchêz )

A imagem pode conter: velas
choro,
o choro de homem poeta,
de um que pouco sabe, 
que nada sabe,
vivente desse dias,
dessa casas sombrias iluminadas por livros,
por seres livros...
eu queria nesse agora, 
apenas um pouco de maconha,
um contato com as estrelas,
com os que dividem 
comigo as dores e as lágrimas,
o filho e o pai, a vida e a morte,
o copo do vinho que não tenho
ruas, as nossas ruas, 
as ruas de todas as pátrias,
os que nelas caminham, 
colhem flores,
observam olhos e nuvens,
placas, pedras, pontas de cigarros,
janelas e carros,
os ventos que trazem o mar 
para os canteiros
e eu estou morrendo 
com os que estão mortos,
com os que modulam
nos girassóis as estações de rádios,
de frequências moduladas,
desprovidas de ruídos 
da água fria regeneradora
que meu corpo físico e elétrico provará
no box de todos os banhos,
das águas comuns a todos,
eu toco em todos pelas águas,
pelas águas do chuveiro 
em parte quebrado
o rosto de minha mãe e de meu pai,
de meus avós paternos e maternos,
o rosto de brasilande de sá barreto,
o rosto de fernando pessoa menino,
de mário quintana tomando café
e o poema tende a crescer
assim que ligo os fios, as ligas,
as lenhas, as pernas do capim,
os dedos das consciência cósmica
( edu planchêz )

A imagem pode conter: texto
amy winehouse
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e aquela mulher com cara de cavalo,
com crinas de cavalo,
com roupas de cavalo, 
com sexo de cavalo,
cantou a porra toda no escuro,
nas trevas dos que fogem, 
dos que se retorcem,
dos que cavam 
por baixo da cama um túnel,
a fossa, a cratera 
onde ficam todos os mortos,
todos vírus e vermes,
o bolor e o néctar,
a flor da papola, 
o botão do cânhamo,
as vermelhas rosas 
e as folhas da coca

A imagem pode conter: céu, cavalo e atividades ao ar livre
alta torres, bela janelas,
abrem e fecham
sem ninguém pegar nelas,
esferas lentes, 
lentes leitoras do mundo,
câmeras naturais que moram 
nos buracos superiores do rosto
as luzes do cosmo, as luzes da terra
moram no fósforo riscado 
pelo rei dos cabelos amarelos,
moram nos casebres dos nerônios,
nas visões, nas visagens,
no blues de meus sonhos amorosos,
eu tenho olhos, os meus, os teus,
os olhos lindos do meu amor que veio do sul,
da península protegida pela mãe araucária
meu amor que ama café,
meu amor que compra 
dos desenhos animados
os doces que nos adornam 
pela eternidade dos doces,
eu não quero mais que doces,
eu não quero mais que tapiocas enfeitadas
com margarina e requeijão
meu amor que canta blues
reparte o blues que fez, que fiz,
em fatias, em gomos, em tiras,
e diz sem nada falar
palavras de gelo porque o inverno
que por ora é o nosso vizinho
nos pede tudo que aquece,
chá de camomila, chocolate...
( edu planchêz )
os perdedores, os fracassados,
os de pouca inteligencia,
nesse agora fazem a festa,
o coringa e as copias do coringa reinam,
os ratos derrotaram o gato,
mas nas réguas do tempo,
no centímetro certo 

da valeta do fracassado,
a metragem se quebrará,
aguardem
tocando guitarra com os dentes 
não numa guitarra,
sim nos negros fios da maçã, da pera,
da citara de minha ama de leite,
de minha ama ornamentada de flores
e espadas de cores orquestrais
os filósofos nos ajudam,
nos mostram a realidade,
mas nos cansam também,
ou seja, me cansa, com os assim será,
com seus absolutismos,
os poeta são lunáticos,
eles observam o longe e o perto
pelas lentes do sentimento,
do humano delicado

segunda-feira, 6 de abril de 2020

o amor que tenho por minha mulher
é cada dia mais forte, mais búdico,
mais dono das cores do arco-íris,
o mágico não nos deixou, isso, nunca,
ela é uma asa, eu sou a outra,
a outra asa do pássaro se ouro,
não há tecnologia que nos diga 

onde começamos,
onde terminamos
aranha-mãe de filhotes aranhas ( edu planchêz )
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Dan Juan Nissan Cohen 
nos diz que não vê mais
o tempo passar, 
que está se desconectando
do que é pesado, 
do que andou arrastando
por todas as pandemias, 
por todas as cédulas sujas,
por todas as lágrimas entupidas 
de monóxido de carbono,
de fakenews da puta que pariu

é, é o caralho da coisas 
das bundas tardias da lua
que nunca foi vista, 
que não é mais vista
por esses vivente 
sobreviventes do que é indigno,
do que não cabe na medida 
da lâmpada de rasputin,
nem nos tentáculo da mulher-lobo
comedora de geleias de cérebros,
cérebros que outrora continham neurônios,
cérebros que não eram intestinos
mas a máxima do mar, 
é invadir as ruas do leblom,
contrariando rubem braga e torquato neto,
que viam esse invadir em copacabana
copacabana não se orgulha tanto assim
mais de seus leões nacionalistas,
de seus parcos roqueiros 
seguidores de abutres,
das branquelas herdeiras 
dos generais apijamados
o mundo ruiu, 
observado pela pedra da gávea,
pelos ladrões da caixa d'água 
da casa de meus avós maternos
que há muito jaz fosilizados 
estão na minha saudade,
no meu pensar de inseto,
de aranha-mãe de filhotes aranhas

( edu planchêz )

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no sarau do sussurro, 
no sarau do sopão,
eu edu planchêz de nada 
e joka faria de nada,
tramamos nada porque 
nada temos para tramar,
apenas sussurramos e devoramos a sopa,
aqui a minha sopa 
e a sopa de miss catarina crystal,
é de feijão com macarrão,
abobrinha, chuchu e certos temperos
a manteiga que espalhei 
nas metades do pão de forma,
é manteiga mesmo, 
a margarina fica na reserva
para os próximos dias de guerra,
de estar na cela, na cela anti-virótica
quando eu morava num casarão 
da rua da lapa
vizinho de anisio vieira poeta e músico
que hoje mora na urca 
casado com uma musicista
que trampou com tim maia,
eu catava de dia a xepa para construir a sopa
que era dividia com o próprio anisio vieira,
com o ator marcus possidente 
mais quem pintava por lá,
companheiros de miséria e histórias,
de relâmpagos e visões de assassinatos,
nossa janela aberta 
estava de frente pro crime,
de frente pra lapa,
os dias eram outros, 
os dias eram os mesmos,
a morte nunca deixou de ser morte,
de ser música saída das ondas sonoras
da subversiva rádio madame satã
( rádio onde apresentei alguns programas
com meu filhote ícaro odin )
o mundo acabou, 
não sei mais em que dia estamos,
se é sábado ou terça-feira, 
se é noite ou dia, nem horas,
nem minutos, nem segundos...
e todos se ajoelham 
aos pés dos pentecostais,
ou quase todos, ou quase nenhum,
os que mamam a maconha azul doirada,
se embrenham nas folhas 
dos poetas sem história,
anti-história, anti-roupas e sapatos,
anti-espelhos e luzes que reflete tragédias
momento único, o meu, o seu...
em sirius engancho, enrolo as pernas,
os braços catadores 
de frequências intracelulares,
ultravioletas, intra-vultos, e vagas cavadas
nos vapores do infra-vermelho
captado por minhas mãos 
sobre o calor da frigideira,
sob o sabor do alho e da cebola
na rádio frequência do olho
do olho do cu,
do cu dos que vendem o vírus e a vacina,
e o veneno brilhante

domingo, 29 de março de 2020

a porra do corona vírus,
a porra da gripe espanhola 
que não é espanhola,
a porra que esporra nos infelizes
para eles continuarem infelizes,
o maldito ódio de tudo que gera censura,
prisão, mentira, idiotas e canalhas
ah, muitas vezes sou idiota e canalha,
e ladrão também, e podre, e perfumado,
e jarro de flores carnívoras, 
flores de carne,
árvores de folhas dentuças,
árvores cagadas pelo cu mesmo,
pela boca, pela boca do lobo,
pela boca da borboleta amarela e preta
que insiste em por seus ovos
nas folhas do meu pé de maracujá
para que cresçam lagartas famintas
devoradoras de pés de maracujás,
e hoje, eu vi ela, 
a borboleta amarela e preta chegar
para despejar seus ovos futuras lagartas
na minha planta que não é minha,
eu gritei com a borboleta,
ela se foi, mas quando eu não estiver
por perto sem a ver,
certamente voltará para despejar 
seus ovos famintos,
como a planta cresce 
na janela do apartamento,
os pássaros que controlam as lagartas,
por me temer aqui não chegam,
eu continuarei com petelecos, 
descartando as lagartas

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sai de casa para não matar meu pai,
para o meu pai não me matar,
aos vinte anos meu filho acordou
falando coisas sem coisas,
logo logo sua madre resolveu,
usando os poemas dele escrever
uma coisa que ela chamada de livro
com o nome "esquizofrenia, o que fazer?",
com isso o condenou para o resto dos tempos
( ou acha que isso o fez, ou não acha... )
o que é ser mesmo mãe?
o que é ser mesmo pai?
o que é delírio, o que não é delírio?
meu filho é um poeta,
um ser doce vertido em música,
meu filho é música, é músico, é amor,
é um homem lindo
vitima, vitimas?
não, não o somos,
eu estive no pátio de um sanatório,
conheci muitas pessoas lá,
um me disse que há mais de seis anos,
que ninguém o visitava...
eu estava no santório da tijuca,
havia quebrado minha aura em muito pedaços,
acho que inconscientemente desejava devorar
os miolos de artaud,
as tripas dos profetas infernais,
a planta morta, as raízes da mandrágora,
os testículos do submundo

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e ele amarrou o fuzil nas pregas
para os abutres compreenderem 
que ele era o rei,
o rei dos que nunca acordaram 
porque nem nasceram,
um rei monstro de revista de quadrinhos
do milênio ultrapassado,
e ele mofou com as cinzas 
dos que empalaram dracula
com um mastro de aço em brasa
e foda-se se você não gosta 
do que aqui escrevo,
e foda-se essa ópera fajuta 
escrita por salieri morto de inveja
por não ser mozart, por não ser nada,
por feder sem direito de se decompor,
pois nem mesmo os linques do bolor
hão de o querer vossos restos desprezíveis
mas como tudo e todos possuem 
em seus íntimos
as sementes de bhuda,
devo tecer respeito 
e não acusar os que se acham demônios
de demônios, porque eu mesmo sou bhuda
e demônio de mim mesmo,
estou na mesma chuva, 
na mesma camada de ozônio,
no oxigênio, na pedra que explode,
na pedra que esfria após o bombardeio
compreendo e não compreendo a guerra,
o horrendo e o paraíso do combate,
do bom combate, 
assim prossigo guerreiro da luz,
discípulo do sutra de lótus,
não no papel, sim na atitude,
na literatura que ora vos ofereço

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puxo o fio, o barbante, o arame,
o galho, a fita, a fagulha,
o que aparentemente está oco,
vazio, sem nada, seco,
triste, lacrimoso, cheio de dores...
desafio, combustível,
lenha na fornalha do evoluir,
e eu, e você, pensativos, trêmulos,
lançados no furacão da história,
do tempo escrito no invisível,
nos organismos dos viventes,
dos que pisam nos dígitos do calendário
nesse ano, nesse mês, no dia, na noite,
no espaço que há entre o sono 
e o estar acordado,
há de se cuidar da doença,
dos arqueiros infernais 
que desejam a nossa morte

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contando pingos,
vírgulas e outros sinais ortográficos para ver,
saber o que escrever 
por esses dias de muitas mortes,
de muitas linguagens, 
línguas exatas e distorcidas,
diante dos que estão isolados,
diante das carreatas macabras
dos que nos julgam pedaços de carne,
objetos, braços mecânicos comandados
pelos que dominam o dinheiro,
pelos selvagens que também vão morrer,
a morte, a velha morte,
não livra nem a cara da rainha,
nem o dono da mais prospera mina de diamantes,
nem os donos dos cachorros,
nem os cachorros,
e a morte fode o presidente, 
os filhos do presidente,
seus ministros, 
seus seguidores analfabetos
vá se foder classe média alta do esgoto,
fedemos da mesma forma,
cagamos a mesma merda, seja ela de caviar,
seja ela ( a merda ) de bafo de cachaça
contaminada com a carne dolorida
dos animais trucidados pela inconsciência
dos que ainda não cresceram
vá se foder reis e rainhas, 
princesas e príncipes,
habitantes das coberturas 
da ipanema cega,
vossa bossa velha arrasta 
com sua carreata macabra
os caras de cu lobotomizados 
por vossas ganâncias,
você acha que o fim chegou mais cedo,
não, chegou na hora certa,
de nada adiantara as montanhas 
de euros e dólares
que entopem seus intestinos sem poesia

( edu planchêz )

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brasília ás escuras
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na isolada brasília,
resmungam os grilos,
os cães de nicolas behr,
os cus dos senhores
deputados senadores,
o mundo envenenado
desses vadios
que envergonham
as dores do parto
de suas mães,
manchando a história
com a paraguaiada
gestada na fedentina
de suas mentes menores,
de seus corações mortos
brasília ás escuras
soterrada por vermes
que você por cegueira
colocou no poder,
na cadeira do pobre diabo,
nas lanças
que enfiam em teu rabo

( edu planchêz )

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não acredito que seja cega,
parece quase nada percebes,
vives longe da compreensão 
profunda dos poemas,
vives o aqui e o agora, 
a superfície, apenas isso,
infelizmente, para a dor de tudo
que não é visível a olho nu,
para os que nos observam, 
para os que nos ouvem
de dentro das outras dimensões
mas nicola tesla compreende meus poemas,
não os critica, apenas os contempla
com a inocência das estrelas,
ele sabe que cada um deles é um sistema,
um ser, um planeta, um amontoado de galáxias,
pássaros em voo
os que muito pensam,
pensam com os neurônios da censura,
com as mãos cativas,
presas no espaço-tempo
dos que nem nasceram,
mas o poema 
de portas abertas sempre está

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DAS ESFERAS ( edu planchêz )
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"O aprimoramento endireita os caminhos
mas as sendas rudes
e tortuosas são as sendas do gênio"
(William Blake)
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Fragmentos que derivam tão somente da alma,
vivo na fronteira dos tempos
Ventania flamejante,
faça-me voltar à tona,
cruzar o colosso,
ser navio e a loucura do perfume

Entre na afinação das esferas,
adorando o espírito que me habita
Se sou invasor, toque logo as trombetas
dos meus cabelos enigmáticos
Não vejo limites nesse incêndio
"Um gato silêncio atravessa a rua"
E eu apago as linhas do mapa-múndi
Se Ginsberg estivesse aqui
nebulosas despontariam
de nossos dedos de condão
Orientes e Ocidentes espalhados
A falta d’água é breve
Temporais ruirão do vazio
carregando os mundos da margem
Centenas de pétalas
lavam o ar melancólico
Ainda tenho minhas asas!
E no gemido da janela
move-se um Rock úmido
E a sombra do poeta
singra pelas areias juvenis
do deserto costeiro
Agora sou um pré-inca
Resta saber se escavando paredes
encontro as relíquias prometidas pelo Sol

(edu planchêz)

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NAVIO RABISCADOS ( edu planchêz )
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Em Withman ancoro pés
novelos e navios rabiscados
Mais de duzentas lagartas, imagino,
caminham no tapete
Segundo os filhos dessa aldeia,
“aquele que traiu o Rock
se esbanja cantando grudes italianos”
Se tenho silêncio nessa manhã?...
Pergunte ao nosso gato amarelo e real no sofá
e nos metais do poema
Em Withmam, amarelas construções
precipitam-se lúcidas 
saudando meu menino de engenho
Se caço o bagaço da cana cósmica 
com a parabólica da cabeça de cuia, 
somente o Brasil pode dizer,
somente o cavalo estanho e sua égua
me fazem ver a extensão
dessa praça primeiro de maio
com todas as suas silhuetas setentrionais
Mais que milho tonto
quando se entorta na feitura da pipoca,
sou eu, ouvindo as invenções de Tom Zé.
Megas rincões providos
de esquálidas árvores de cedro
Voltando à onda original
Voltando ao castelo estranho
colado nas costas do crustáceo 
irmão da ameba
Centauro-ave-pré-histórica-brontosauru
A verruga que se deu em poesia
crescia no magma da pré-civilização
Nada mais estranho
nem mesmo o amor dos escaravelhos
revolvendo excrementos
Gosto de ver e vejo gavinhas
de duplas folhas saindo do chão
e se enrodilhando na base 
dos pelos do meu corpo
Gosto de ver e vejo aviões
entrando e saindo,
navegando em tua vagina-aeroporto
Aviões em meu pescoço-caule-de-sequoia
Me remeta umas letras de qualquer planeta
Sem te preocupar com o breu dos enganos
teste teu batom e teus lábios
nos lábios das minhas invenções
Se teu breu abraça meu transe, 
nada se esconde
e se esconde, 
e se esconde, e se esconde

( edu planchêz )

A imagem pode conter: oceano, céu, água e atividades ao ar livre

Já que hoje me sinto bem pequeno, menor que o menor dos pequeninos, dou um descanso para o pensamento porque o mais importante  é entrar ...