segunda-feira, 6 de abril de 2020

no sarau do sussurro, 
no sarau do sopão,
eu edu planchêz de nada 
e joka faria de nada,
tramamos nada porque 
nada temos para tramar,
apenas sussurramos e devoramos a sopa,
aqui a minha sopa 
e a sopa de miss catarina crystal,
é de feijão com macarrão,
abobrinha, chuchu e certos temperos
a manteiga que espalhei 
nas metades do pão de forma,
é manteiga mesmo, 
a margarina fica na reserva
para os próximos dias de guerra,
de estar na cela, na cela anti-virótica
quando eu morava num casarão 
da rua da lapa
vizinho de anisio vieira poeta e músico
que hoje mora na urca 
casado com uma musicista
que trampou com tim maia,
eu catava de dia a xepa para construir a sopa
que era dividia com o próprio anisio vieira,
com o ator marcus possidente 
mais quem pintava por lá,
companheiros de miséria e histórias,
de relâmpagos e visões de assassinatos,
nossa janela aberta 
estava de frente pro crime,
de frente pra lapa,
os dias eram outros, 
os dias eram os mesmos,
a morte nunca deixou de ser morte,
de ser música saída das ondas sonoras
da subversiva rádio madame satã
( rádio onde apresentei alguns programas
com meu filhote ícaro odin )

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