terça-feira, 28 de abril de 2020

escrita perfume ( edu planchêz )
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meus dez anos de solidão 
que sempre se repetem,
hão de ser entre as montanhas,
vivo entre montanhas 
aqui na jacarepaguá dos meus,
das imagens gigantes do tiê-sangre
guardado pelas fartas folhas
do jambeiro encarnado de frutos

assim falou zaratustra, assim falo eu,
aprendiz em lavar pratos,
em instalar chuveiros e botijões de gás,
em compreender minha mulher menina
que ainda não tocou nos ferros em brasa
que passaram a ser todos os meus ossos
eu reino nas camuflagens do escrever,
e eu, e eu apenas embaralho as letras,
os assuntos que são fios 
que vou puxando
de dentro de uma garrafa,
de uma lâmpada de gênio,
de gini querida 
vertida em catarina crystal,
minha galla,
um castelo fiz pra ela
nas cascatas dessa escrita perfume

A imagem pode conter: noite

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