domingo, 19 de abril de 2020

alta torres, bela janelas,
abrem e fecham
sem ninguém pegar nelas,
esferas lentes, 
lentes leitoras do mundo,
câmeras naturais que moram 
nos buracos superiores do rosto
as luzes do cosmo, as luzes da terra
moram no fósforo riscado 
pelo rei dos cabelos amarelos,
moram nos casebres dos nerônios,
nas visões, nas visagens,
no blues de meus sonhos amorosos,
eu tenho olhos, os meus, os teus,
os olhos lindos do meu amor que veio do sul,
da península protegida pela mãe araucária
meu amor que ama café,
meu amor que compra 
dos desenhos animados
os doces que nos adornam 
pela eternidade dos doces,
eu não quero mais que doces,
eu não quero mais que tapiocas enfeitadas
com margarina e requeijão
meu amor que canta blues
reparte o blues que fez, que fiz,
em fatias, em gomos, em tiras,
e diz sem nada falar
palavras de gelo porque o inverno
que por ora é o nosso vizinho
nos pede tudo que aquece,
chá de camomila, chocolate...
( edu planchêz )

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