domingo, 19 de abril de 2020

choro,
o choro de homem poeta,
de um que pouco sabe, 
que nada sabe,
vivente desse dias,
dessa casas sombrias iluminadas por livros,
por seres livros...
eu queria nesse agora, 
apenas um pouco de maconha,
um contato com as estrelas,
com os que dividem 
comigo as dores e as lágrimas,
o filho e o pai, a vida e a morte,
o copo do vinho que não tenho
ruas, as nossas ruas, 
as ruas de todas as pátrias,
os que nelas caminham, 
colhem flores,
observam olhos e nuvens,
placas, pedras, pontas de cigarros,
janelas e carros,
os ventos que trazem o mar 
para os canteiros
e eu estou morrendo 
com os que estão mortos,
com os que modulam
nos girassóis as estações de rádios,
de frequências moduladas,
desprovidas de ruídos 
da água fria regeneradora
que meu corpo físico e elétrico provará
no box de todos os banhos,
das águas comuns a todos,
eu toco em todos pelas águas,
pelas águas do chuveiro 
em parte quebrado
o rosto de minha mãe e de meu pai,
de meus avós paternos e maternos,
o rosto de brasilande de sá barreto,
o rosto de fernando pessoa menino,
de mário quintana tomando café
e o poema tende a crescer
assim que ligo os fios, as ligas,
as lenhas, as pernas do capim,
os dedos das consciência cósmica
( edu planchêz )

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