domingo, 19 de abril de 2020

as bandeiras que sigo são feitas de pedra
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destravando, arrancando os cabelos
do enferrujado arame
que o real me oferece
digerindo, mastigando,
cuspindo e engolindo o cuspe
para nas vindouras horas aprender
esquecendo o que vejo 
para conseguir andar,
andar por dentro de mim,
nas esferas do cosmo que absorvi,
do cosmo que fui inventando,
do cosmo que existe 

sem eu precisar existir
todo o peso dos fatos,
das estampas, das imagens punks,
do rock que sempre fiz,
das vozes que ouço,
não são vozes ocultas
e são vozes ocultas,
e eu tenho que escrever
para não morde a loucura,
para morder a loucura,
para dizer alguma coisa
mesmo tendo quase nada para falar,
e eu preciso falar para ficar em silêncio
posso tocar 
nas orelhas das folhas do hortelã
para não gritar, mas eu quero gritar,
dói o braço, as costas, os dedos das mãos,
a alma que desenrolo
e hasteio no lugar das bandeiras,
e as bandeiras que sigo são feitas de pedra
( edu planchêz )

A imagem pode conter: velas

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