domingo, 29 de março de 2020

sai de casa para não matar meu pai,
para o meu pai não me matar,
aos vinte anos meu filho acordou
falando coisas sem coisas,
logo logo sua madre resolveu,
usando os poemas dele escrever
uma coisa que ela chamada de livro
com o nome "esquizofrenia, o que fazer?",
com isso o condenou para o resto dos tempos
( ou acha que isso o fez, ou não acha... )
o que é ser mesmo mãe?
o que é ser mesmo pai?
o que é delírio, o que não é delírio?
meu filho é um poeta,
um ser doce vertido em música,
meu filho é música, é músico, é amor,
é um homem lindo
vitima, vitimas?
não, não o somos,
eu estive no pátio de um sanatório,
conheci muitas pessoas lá,
um me disse que há mais de seis anos,
que ninguém o visitava...
eu estava no santório da tijuca,
havia quebrado minha aura em muito pedaços,
acho que inconscientemente desejava devorar
os miolos de artaud,
as tripas dos profetas infernais,
a planta morta, as raízes da mandrágora,
os testículos do submundo

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